quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Campanha Salve o pulmão de Brasília

A Reserva Indígena do Bananal, área de proteção ambiental, localizada no Parque Nacional de Brasília, foi invadida em outubro desse ano por tratores da Terracap, Companhia Imobiliária de Brasília, que desmatou uma área de 15 quilômetros de cerrado.A reserva está em uma área onde o governo do Distrito Federal (GDF) deseja criar o bairro habitacional Setor Noroeste, previsto para abrigar 40 mil habitantes de alta renda.O cerrado é um dos biomas mais ameaçados do mundo, segundo estudos dos pesquisadores do Programa da CI- Brasil, o bioma corre risco de desaparecer até 2030.
No twitter a campanha Salve o Pulmão de Brasília, faz um apelo às autoridades da importância do local para a cidade de Brasíla.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Morte silenciosa de crianças indígenas Matsés no Alto Rio Jaquirana no Amazonas

Por: Renata Machado

Matasenpe Mayoruna e as crianças matsés do Alto Rio Jaquirana -AM

Há muitos anos os povos que habitam a Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, fazem reivindicações e pedem socorro, pois suas comunidades vêm sofrendo de doenças que seriam controláveis com prevenção, vacinação e medicamento adequados.
O Povo Matsés, conhecidos também como Mayoruna, habita a região de fronteira Brasil-Peru.A localização de suas comunidades é ao longo da bacia do rio Javari, no extremo oeste da Amazônia, é uma região de difícil acesso.

Apesar do trabalho que a Fundação Nacional de Saúde - FUNASA diz está desenvolvendo na região, doenças como Hepatite A, B e C ainda assustam os povos indígenas locais.Epidemias de malária também são bastante frequentes.

Estou trabalhando com crianças Matsés no rio alto Jaquerana, tem 45 crianças indígenas. O Governo tem esquecido a criança indígena do rio alto Jaquerana do Amazonas que morre com malária e hepatite C, B, A.Dentro do território Indígena morre em silêncio ás crianças, declara o assessor indígena do Vale do Javari - AM, ''Matasenpe Mayoruna'', Marcos Paulo Gonçalves Fortz.

Não é de hoje que denúncias da situação da saúde indígena na região vem sendo feitas.
Embora no Boletim Informativo Especial da FUNASA, de Abril de 2008, diga que o Vale do Javari, é o alvo principal das operações.É faz necessário que os orgãos responsáveis ajam com a máxima urgência, porque a vida de crianças indígenas está ameaçada.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Tortura contra indigenas Tupinambá na Bahia

“ No dia 2 de junho, quatro homens e uma mulher dos Tupinambá (Ailza Silva Barbosa 49 anos, Osmario de Oliveira Barbosa 46 anos, Alzenar Oliveira da Silva 23 anos, Carmerindo Batista da Silva 50 anos e José Otavio de Freitas Filho 30 anos ) foram vítimas de tortura por agentes da Polícia Federal (PF) de Ilhéus, sul da Bahia. Esses policiais aplicaram choque elétrico nas costas e nos órgãos genitais de indígenas e usaram spray de pimenta. Os Tupinambá estavam sendo forçados a confessar o assassinato de um homem, cujo corpo foi encontrado numa represa da Fazenda Santa Rosa, em Buerarema, município próximo de Ilhéus. Os índios torturados só foram soltos à noite.

No dia 25 de maio, os Tupinambá fizeram a retomada de parte de suas terras tradicionais invadida pela fazenda Santa Rosa. Na ocasião, os indígenas encontraram um corpo em estado decomposição e informaram a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a PF. Horas depois da denúncia, agentes da PF entraram na área e levaram 15 indígenas presos. Após depoimentos, todos foram liberados, exceto Jurandir de Jesus, irmão do cacique Rosivaldo (Babau), pelo fato de que estava transportando alimentos para os índios, na área retomada, num veículo de uma empresa que prestava serviços a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Jurandir está sendo acusado de peculato, por utilizar o carro da empresa que aparentemente prestava serviços para a Funasa. O Ministério Público Federal (MPF) e a Funai impetraram Habeas Corpus (HC) no Tribunal Regional Federal da 1ª Região contra o decreto de prisão preventiva, pois o simples fato de Jurandir levar alimentos aos seus companheiros não ofende a ordem pública, nem se caracteriza como fomento a um possível crime de esbulho.

O objetivo da tortura dos agentes da PF contra os cinco Tupinambá era fazer com que eles confessassem a participação no crime de homicídio. Mas não obtiveram êxito, e à noite soltaram os indígenas torturados. Em seguida, os índios procuraram a Funai e o MPF, prestaram depoimentos e fizeram exames de corpo de delito, comprovando-se a tortura levada a cabo pelos policiais.

Contexto das torturas
Em outubro de 2008, a comunidade da Serra do Padeiro foi violentamente atacada pela Policia Federal de Ilhéus, que causou uma serie de indignação na sociedade nacional, inclusive motivou uma campanha da Anistia Internacional.
No dia 20 de abril a Funai publicou no Diário Oficial da União (DOU) o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença com o total de 47.376 hectares dentro dos municípios de Buerarema, Una e Ilhéus. A partir dessa publicação intensificaram-se as ações discriminatórias na região de Ilhéus, no sul da Bahia. O povo Tupinambá vem sofrendo, inclusive, ameaça de vereadores num intenso processo discriminatório por parte da imprensa da região. O empresário e pecuarista Marcelo Mendonça, Presidente do Grupo da Ação Comunitária, em sessão especial na Câmara de Vereadores de Ilhéus declarou que seus pares se armariam para impedir a demarcação.
Há uma campanha mentirosa por parte dessas pessoas, segundo a qual a demarcação da terra Tupinambá atingirá as sedes dos municípios onde ela se localiza. Nas ações, a Polícia Federal é acompanhada pelos fazendeiros das áreas retomadas.
Na ação da PF em 2008, ninguém foi responsabilizado pelo excesso e pelas ilegalidades dos atos, criando um clima de impunidade em relação aos abusos de autoridade de agentes e delegados da Polícia Federal. Estamos encaminhando os depoimentos e os laudos do exame de corpo de delito para conhecimento de vocês.E gostaríamos de contar com o apoio da Anistia Internacional na divulgação e denúncia desse crime tortura. Entendemos que se não for feita uma pressão externa (nacional e internacional) esse caso de tortura será arquivado. Pedimos o apoio e atenção da Anistia.
No caso de necessitar de maiores informações pode entrar em contato conosco ou com a equipe do Cimi em Itabuna - cimi...@veloxmail.com.br
Um abraço
Cláudio Luiz Beirão
Advogado e Assessor jurídico do Cimi
Contato: (61) 21061650 - 96964841

RESUMO DAS TORTURAS
Ailza Silva Barbosa, mulher, 49 anos (nasc. 22/10/1959) - Foi jogada no chão, bateram na suas costelas com cabo de arma, ameaçaram de cortar seus cabelos, jogaram spray de pimenta em seus olhos e bateram em sua cabeça várias vezes na parede.
Osmario de Oliveira Barbosa, homem, 46 anos ( nasc. 16/04/1963) - Foi jogado no chão, deram chute, usaram spray de pimenta em seus olhos, sofreu choque elétrico em suas costas, costelas e órgão genitais.
Alzenar Oliveira da Silva, homem, 23 anos ( nasc. 20/01/1986) - Foi jogado no chão, usaram spray de pimenta em seus olhos, deram chute e recebeu choque elétrico em seu pescoço e costelas.
Carmerindo Batista da Silva, homem, 50 anos ( nasc. 12/07/1958) - Foi jogado no chão, deram chute, usaram spray de pimenta em seus olhos. Pisaram de bota em seu pé que ficou a marca, ficou algemado das onze (11:00) da manhã até as vinte e uma horas de trinta minutos (21:30) foi jogado na parede que machucou sua testa.
José Otavio de Freitas Filho 30 anos ( 03/12/1978) - Foi jogado no chão, deram chute, bateram em sua cabeça, usaram spray de pimenta em seus olhos, sofreu choque elétrico no pescoço, órgão genitais. Recebeu várias ameaças de morte.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CEPO

CENTRO POPULAR prof. João Batista de Andrade Cultura, Política e Cidadania - CEPO JB

Convidamos a todos(as) para o lançamento do Centro popular prof. João Batista de Andrade, a ser realizado na Praça da Reitoria (esquina da R. Miguel de Frias com Praia de Icaraí - Niterói), no dia 07 de Junho de 2009, a partir das 11h30m.Esta iniciativa pretende contribuir para a Animação Cultural, Formação Política e Conquista da Cidadania Plena, através de Oficinas Vivas, Debates e Atividades Sociais e Políticas, que serão realizadas em diversas localidades do município, de forma a levar à população atividades, sabores e saberes, que possam contribuir para a elevação do nível de conciência e convivência da população, em torno e em prol de seus interesses.Esta é uma iniciativa autônoma e independente, autogestada de forma participativa e sem quaisquer vínculo político-institucionais, aberta a todos aqueles que queiram contribuir e participar pela melhoria de nossa sociedade.


CENTRO POPULAR prof. João Batista de AndradeCultura, Política e Cidadania CEPO JB

sábado, 16 de maio de 2009

II reunião do Fórum Estadual Intersetorial do Rio de Janeiro




''Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos.De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. ''(João Cabral de Melo Neto)



II Reunião Regional do Fórum Estadual Intersetorial “Voz aos Povos Quilombolas, Assentados e Acampados Rurais, Indígenas e Pescadores Artesanais”


A II Reunião Regional do Fórum Estadual Intersetorial “Voz aos Povos Quilombolas, Assentados e Acampados Rurais, Indígenas e Pescadores Artesanais” da Região Metropolitana I e II será no dia 08 de junho, entre 09 e 17 horas, no Jurujuba Iate Clube, rua Emerlindo Martins, s/nº, Niterói, articulando gestores públicos e comunidades, buscando atender as necessidades de acesso a políticas públicas, criação de mecanismos e estratégias capazes de “dar voz”, reconhecimento, visibilidade a essas populações.


O Fórum criado por meio do Decreto Nº 41.357 de 13 de junho de 2008, do Governador do Estado do Rio de Janeiro Sergio Cabral, visa estreitar a relação entre os gestores públicos e as comunidades supracitadas.


A primeira reunião do Fórum se deu em janeiro desse ano em Angra dos Reis, com muito sucesso, e a reunião de junho em Niterói já cria uma expectativa positiva em torno do evento:
“A realização do encontro em Niterói é de suma importância em função da questão dos cemitérios indígenas do Município, do patrimônio material e imaterial, das populações remanescentes e das lutas dos pescadores em Itaipu, Jurujuba e Imbuhy”, diz o advogado Arão da Providência da Comissão dos Direitos Humanos da OAB.


A realização do encontro em Niterói ressalta a luta pelo estabelecimento dos direitos das populações tradicionais e a importância dos cemitérios indígenas. “Camboinhas é um marco para o Rio de Janeiro porque verificou-se a necessidade da destinação própria para os Cemitérios e Sambaquis. O principal ganho de Camboinhas é aglutinar as culturas protegidas”, afirma Arão da Providência, se referindo ao fato de que a comunidade de pescadores de Itaipu é, em parte, descendente dos índios que habitaram a região, tendo, por conta do direito étnico/sucessório, junto com os grupos Tupi sobre os Sambaquis de Itaipu e Duna Pequena e sobre a orla da Lagoa de Itaipu.


Jorge Nunes de Souza, o“Seu Chico", representante dos pescadores artesanais de Itaipu – ALPAPI - e, segundo estudo da UFF sobre a árvore genealógica dos caiçaras locais, descendente direto dos índios Temiminó que ocuparam a região, crê que esse encontro pode servir como um canal de comunicação entre as populações tradicionais, gestores públicos e indivíduos oriundos do meio acadêmico: “O que eu espero desse encontro é exatamente isso: a gente fazer um grupo de trabalho e criar um documento e chamar a UFF, a Faculdade Maria Theresa, as universidades do Rio de Janeiro e de Niterói e tentar passar isso para as pessoas que estão ali. E os políticos também: a Secretaria do Meio Ambiente, a Secretaria de Segurança Pública, nós vamos estar chamando essas pessoas. Nós estamos preocupados em passar nosso conhecimento e nossas necessidades. Levar adiante nossa expressão e a nossa cultura”.


O comitê diretivo do fórum, cuja resolução foi assinada pela Subsecretária Betânia Freitas e a Superintendente Zezé Motta, reúne em torno de 300 representantes das Secretarias de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, de Saúde e Defesa Civil e do Meio Ambiente, além da Associação Estadual dos Municípios do Rio de Janeiro, do Instituto Terra de Preservação Ambiental e dos Centros de Pesquisa da UERJ, UFRJ e UFF.


Fonte:Assessoria de Imprensa - CESAC
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Contato: Secretaria Executiva do Fórum Voz aos Povos:Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos- Subsecretaria de Defesa e Promoção dos Direitos HumanosEnd. Praça Cristiano Ottoni s/nº Ed. D. Pedro II - 6º andar. Centro – Rio de Janeiro,
RJ - CEP. 202221-250
Tel/Fax. (21) 23345500
Email
dh@social.rj.gov.br

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades pessoais, inteligência coletiva

Por: Rogério da Costa
Professor, Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP); assessor de Políticas Tecnológicas, PUCSP, São Paulo, SP. rogcosta@pucsp.br
Este texto trata basicamente da transmutação do conceito de "comunidade" em "redes sociais". Esta mudança se deve em grande parte à explosão das comunidades virtuais no ciberespaço, fato que acabou gerando uma série de estudos não apenas sobre essa nova maneira de se fazer sociedade, mas igualmente sobre a estrutura dinâmica das redes de comunicação. No centro dessa transformação, conceitos como capital social, confiança e simpatia parcial são invocados para que possamos pensar as novas formas de associação que regulam a atividade humana em nossa época.

PALAVRAS-CHAVE: redes de comunicação de computadores; redes comunitárias; inteligência coletiva.

Page 2 /236 Interface - Comunic, Saúde, Educ, v.9, n.17, p.235-48, mar/ago 2005 COSTA, R.

A atual interconexão generalizada entre as pessoas tem chamado a atenção de muitos teóricos sobre seus efeitos no quadro das relações individuais e igualmente na forma como os coletivos se comportam quando se constituem como redes de alta densidade. Relações individuais e coletivas, particularmente no ciberespaço, têm despertado o interesse dos estudiosos de redes sociais, dos sociólogos, etnógrafos virtuais, dos ciberteóricos, dos especialistas em gestão do conhecimento e da informação, enfim, de todos aqueles que pressentem que há algo de novo a ser investigado, que a atual vertigem da interação coletiva pode ser compreendida dentro de uma certa lógica, dentro de certos padrões, o que já era anunciado nos anos 1980 pelos analistas estruturais de redes sociais (Wellman & Berkowitz, 1988).Temas como “inteligência emergente” (Steven Johnson, 2001),“coletivos inteligentes” (Howard Rheingold, 2002), “cérebro global” (Heylighen et al., 1999), “sociedade da mente” (Marvin Minsk, 1997),“inteligência conectiva” (Derrick de Kerckhove, 1997), “redes inteligentes”(Albert Barabasi, 2002), “inteligência coletiva” (Pierre Lévy, 2002) são cada vez mais recorrentes entre teóricos reconhecidos. Todos eles apontam para uma mesma situação: estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma freqüência que só faz crescer. A partir disso, torna-se claro o desejo de compreender melhor a atividade desses coletivos, a forma como comportamentos e idéias se propagam, o modo como notícias afluem de um ponto a outro do planeta etc. A explosão das comunidades virtuais parece ter se tornado um verdadeiro desafio para nossa compreensão.Mas, antes de tudo, é importante salientar que todo tipo de grupo,comunidade, sociedade é fruto de uma árdua e constante negociação entre preferências individuais. Exatamente por essa razão, o fato de estarmos cada vez mais interconectados uns aos outros implica que tenhamos de nos confrontar, de algum modo, com nossas próprias preferências e sua relação com aquelas de outras pessoas. E não podemos esquecer que tal negociação não é nem evidente nem tampouco fácil. Além disso, o que chamamos de preferências “individuais” são na verdade fruto de uma autêntica construção coletiva, num jogo constante de sugestões e induções que constitui a própria dinâmica da sociedade.

Comunidades
Em meio a todo esse alvoroço no ciberespaço, um termo tão consolidado como o de “comunidade” vem sendo discutido e mesmo questionado por alguns teóricos. Alguns reclamam sua falência, com um certo tom nostálgico, lamentando seu desgaste e perda de sentido no mundo atual. Outros apontam para os focos de resistência que comprovariam sua pertinência, mesmo em meio a nossa sociedade capitalista individualizante. Mas há os que acreditam, simplesmente, que o conceito mudou de sentido.Num livro publicado em 2003, intitulado “Comunidade: a busca por
segurança no mundo atual”, Zygmunt Bauman, sociólogo reconhecido por seus trabalhos sobre o fenômeno da globalização, procura analisar o que estaria se passando atualmente com a noção de comunidade. É possível perceber uma série de conceitos em jogo no texto do autor: individualismo, liberdade, transitoriedade, cosmopolitismo dos “bem-sucedidos”, comunidade estética, segurança. Bauman supõe que haja uma oposição entre liberdade e comunidade. Considerando-se que o termo “comunidade” implique uma “obrigação fraterna de partilhar as vantagens entre seus membros, independente do talento ou importância deles”, indivíduos egoístas, que percebem o mundo pela ótica do mérito (os cosmopolitas), não teriam nada a “ganhar com a bem-tecida rede de obrigações comunitárias, e muito que perder se forem capturados por ela” (Baumann, 2003, p.59).O texto defende a idéia de que, hoje, comunidade e liberdade são conceitos em conflito: há um preço a pagar pelo privilégio de ‘viver em comunidade’. O preço é pago em forma de liberdade, também chamada ‘autonomia’, ‘direito à auto-afirmação’ e à ‘identidade’. Qualquer que seja a escolha, ganha-se alguma coisa e perde-se outra. Não ter comunidade significa não ter proteção; alcançar a comunidade, se isto ocorrer, poderá em breve significar perder a liberdade. (Baumann, 2003, p.10).É interessante perceber que a aparente oposição entre liberdade e comunidade que encontramos em Bauman deve-se, de fato, ao sentido que ele atribui à noção de “comunidade”: tecida de compromissos de longo prazo, de direitos inalienáveis e obrigações inabaláveis (...) E os compromissos que tornariam ética a comunidade seriam do tipo do ‘compartilhamento fraterno’, reafirmando o direito de todos a um seguro comunitário contra os erros e desventuras que são os riscosinseparáveis da vida individual. (Baumann, 2003, p.57) .Como é possível notar, para o autor a vida individual está envolta em riscos, e querer viver em liberdade deve significar viver sem segurança. Já a comunidade, o lugar da segurança, remete-nos ao sentido mais tradicional que conhecemos, em que os laços por proximidade local, parentesco, solidariedade de vizinhanças seriam a base dos relacionamentos consistentes.Barry Wellman & Stephen Berkowitz (1988) fazem uma análise bem mais complexa do conceito de comunidade, e que nos traz elementos para pensarmos diferentemente esse problema. Eles partem do princípio de que estamos associados em redes, mas por meio de comunidades pessoais. “Enquanto a maioria das pessoas sabe que elas próprias possuem laços comunitários abundantes e úteis”, dizem, elas com freqüência acreditam que muitas outras não os têm.Como evidência, invocam imagens comuns de massas de indivíduos se empurrando e se acotovelando no caminho em ruas abarrotadas, pessoas solitárias sentadas diante da televisão,hordas caminhando nas ruas em manifestações ou fileiras de empregados diante de suas máquinas ou computadores. (Wellman & Berkowitz, 1988, p.123) Isto significa que cada um de nós possui uma visão clara da rede de relacionamentos à qual pertence, mas não é possível perceber facilmente a rede à qual os outros pertencem. Isso inclui não apenas aqueles que não conhecemos, mas também os que fazem parte de nossas relações. Pessoas que conhecemos e com quem temos laços fracos, como afirma Granovetter (1974), possuem muito provavelmente laços fortes com uma rede outra que desconhecemos. Wellman & Berkowitz (1988, p.124) lembram que, até 1960,muitos sociólogos compartilhavam essa crença popular nodesaparecimento da “comunidade” em grandes cidades e gastaram uma grande quantidade de energia tentando explicar porque isso teria ocorrido. Muito dos seus esforços centraram-se no aparente cataclisma das mudanças associadas com a revolução industrial dos últimos dois séculos. Essa revolução teria conduzido, por exemplo, às novas formas de exploração,à ausência de laços comunitários e à emergência de novas formas de patologia social, bem como à perda da identidade pessoal.Wellman & Berkowitz (1988) afirmam que várias análises recentes sofrem de uma “síndrome pastoral”, que compara nostalgicamente as comunidades contemporâneas com os supostos velhos bons tempos. É assim que sociólogos urbanos dizem que o tamanho, a densidade e heterogeneidade das cidades contemporâneas têm alimentado laços superficiais, transitórios, especializados e desconectados nas vizinhanças e ruas. Com isso, os laços de família extensos têm se esvaziado e deixado os indivíduos sozinhos com seus próprios recursos, além de poucos amigos, transitórios e incertos. Como conseqüência, indivíduos solitários sofrerão mais seriamente de doenças devido à ausência de suporte social de amigos e parentes. Mas os autores perguntam-se: essas coisas de fato se desfizeram? Será mesmo que os laços interpessoais são agora provavelmente em número menor, curtos em duração e especializados em conteúdo? As redes pessoais estariam se esgotando tanto assim que os poucos laços restantes serviriam apenas de base para relações desconectadas entre duas pessoas, no lugar de servirem como fundação para comunidades mais extensas e integradas? Novas técnicas de coleta de dados mais sistemáticas, desenvolvidas desde os anos de 1950, mostraram que as comunidades contemporâneas não estavam tão mortas quanto se pensava. Por outro lado, e igualmente importante, pesquisadores começaram a demonstrar que as comunidades pré-industriais não eram tão solidárias quanto se acreditava. Analisando-se sociedades de países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, constata-se que muitas localidades não possuem comunidades de suporte, redes sociais ou laços de parentesco consistentes. Para Wellman & Berkowitz (1988), esses estudos mostram que as relações dentro dessas sociedades pré-industriais são em geral hierárquicas, com laços de exploração especializados, com uma profunda divisão separando facções. Além disso, historiadores têm sistematicamente usado fontes demográficas e de arquivo para demonstrar que muitas comunidades pré-revolução industrial eram menos solidárias do que se pensava. (p.125) Ou seja, se respeitarmos o conceito tradicional de comunidade, elas nem estariam completamente condenadas nas sociedades industriais, e tampouco seriam encontradas em abundância nas sociedades pré-industriais. O que os recentes analistas de redes apontam é para a necessidade de uma mudança no modo como se compreende o conceito de comunidade: novas formas de comunidade surgiram, o que tornou mais complexa nossa relação com as antigas formas. De fato, se focarmos diretamente os laços sociais e sistemas informais de troca de recursos, ao invés de focarmos as pessoas vivendo em vizinhanças e pequenas cidades, teremos uma imagem das relações interpessoais bem diferente daquela com a qual nos habituamos. Isso nos remete a uma transmutação do conceito de “comunidade” em “rede social”. Se solidariedade, vizinhança e parentesco eram aspectos predominantes quando se procurava definir uma comunidade, hoje eles são apenas alguns dentre os muitos padrões possíveis das redes sociais. Atualmente, o que osanalistas estruturais procuram avaliar são as formas nas quais padrões estruturais alternativos afetam o fluxo de recursos entre os membros de uma rede social. Estamos diante de novas formas de associação, imersos numa complexidade chamada rede social, com muitas dimensões, e que mobiliza o fluxo de recursos entre inúmeros indivíduos distribuídos segundo padrões variáveis.

sábado, 25 de abril de 2009

Informativo: Em Defesa das Comunidades tradicionais


Não assinem nada sem saber do que se trata e sem ler os termos.
Fiquem de olho, comunidades tradicionais, não assinem nada que retire odireito de suas comunidades.É preciso estabelecer direitos, não retirá-los como faz o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta).O TAC é usualmente empurrado goela abaixo das comunidades tradicionais e populações originárias como forma de cercear direitos, a proposta de um TAC é muito utilizada por empreiteiras e multinacionais contrapopulações minoritárias.


Diga NÃO ao TAC!



Diga SIM aos direitos de suas comunidades!

Fonte: Grupo - Defesa das Comunidades Tradicionais
http://groups.google.com.br/group/defesa-das-comunidades-tradicionais/